Não é preguiça, são sinais silenciosos da depressão funcional
O despertador toca pela terceira vez, e a simples ideia de levantar, tomar banho e responder às mensagens do whatsapp parecem tão exaustivas quanto correr uma maratona. No piloto automático você levanta, se arruma, cumpre as obrigações, sorri quando tem que sorrir e parece que está tudo bem, mas por dentro... a sensação é de estar assistindo à própria vida através de uma tela embaçada e arranhada.
Na maioria das vezes a depressão não se mostra coma pessoa chorando, deitada na cama, com o quarto todo escuro. Ela é funcional. Você funciona, cumpre obrigações, paga boletos, visita a família, sai com amigos e até para algum encontro amoroso. Em certos dias, até ri – por mais que não seja mais tão frequente, a risada também acontece na pessoa deprimida.
A depressão não é uma tristeza passadeira, isso todo mundo tem. Tristeza é emoção e emoções são inerentes aos humanos. Um dia ruim, uma frustração, um não recebido para uma promoção, uma viagem cancelada, geram tristeza e isso é natural.
Não é a tal "falta de força de vontade". A depressão afeta a química cerebral. Pedir para alguém sair dela usando apenas a força de vontade é injusto e quase cruel, porque é o mesmo que pedir para alguém com a perna quebrada sair correndo por aí.

A depressão não passa como aqueles dias de tristeza. Ela permanece. Ela trás a sensação de um vazio que não vai embora, trás uma percepção de que nada mais faz sentido – seja sair para passear, seja entrar em uma conversa com alguém, seja iniciar um projeto novo na vida – porque nada trás a sensação de leveza, de satisfação, de realização.
A depressão te esgota, no físico e no mental, sem que você queira que isso aconteça. O corpo dói com "dores que andam" pelo corpo, num dia é o pescoço tenso, no outro um mau jeito no braço, em outro um desconforto no abdômen, ou até uma sensação de fraqueza. Não são dias seguidos que isso ocorre, mas espaçados, e você vai criando justificativas para as dores.
A depressão faz a imunidade do corpo cair, o raciocínio ficar lento, a memória falhar. O sono não tem a mesma qualidade mais, seu apetite muda e o que te empolgava antes, você ou não tem energia para fazer ou simplesmente perde a graça.
Por ser uma doença que se instala aos poucos, muitas vezes o próprio indivíduo demora a perceber que cruzou a linha entre o cansaço extremo e o início de um quadro depressivo.
Se você se identificou com essas linhas, o passo mais importante agora é parar de se culpar e de se isolar. Não guarde para você. Você está enfrentando uma doença QUE TEM TRATAMENTO!
O caminho de volta para uma vida com cor e significado não acontece do dia para a noite, mas ele é possível. Se o peso da sua mochila estiver grande demais para conseguir caminhar, nós te ajudamos. Você merece que alguém cuide de você. Nós estamos aqui para cuidar de você.
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"Este texto tem caráter puramente psicoeducativo. As definições, conceitos e exemplos aqui apresentados são baseados nos critérios diagnósticos do DSM-5-TR."
Autores:
Eduardo Priamo Ferreira
Letícia Ésther de Andrade
Maria Eduarda de Melo Marques
